Pe. Antôno Ranis escreve sobre a " Espiritualidade Quaresmal'

04/03/2011 10:32

 

No início de cada ano, quando começam a todo vapor as atividades do ano civil, a Igreja em sua rica tradição, bem como, na vasta experiência humana e espiritual, proporciona ao ser humano de boa vontade, oportunidades de crescimento nas diversas esferas da vida.

Partindo do calendário litúrgico religioso, provido de fecunda simbologia, somos convidados a aproveitar com profundidade além dos ritos celebrativos, encontros e reflexões. Convém-nos que desfrutemos do verdadeiro significado e importância que o tempo pascal oferece a cada um de nós fiéis em Cristo.

Detendo-nos no que antecede a festa da Páscoa Cristã, que são as sete semanas, ou seja, a quaresma, período que assinala para penitência, arrependimento, confrontação e avaliação, o que chamamos de superação evolutiva da nossa frágil estrutura humana. É necessário cada um se deixar banhar da espiritualidade quaresmal, utilizando bem e com consciência os símbolos próprios: como a linguagem, os cenários teológicos e históricos-salvíficos.  E na intensidade da nossa sabedoria reflexiva e religiosa, procuremos valorizar e perceber neste período quais os apelos interpretativos que o Criador nos faz.

Dentre tantas riquezas simbólicas e litúrgicas da quaresma, voltemos nossa atenção para o cenário do deserto, enquanto lugar de sedução, restauração, anúncio, solidão, reencontro, ação e desafio (cf. os 2,16; Dt 8). Foram diversas as situações e as dificuldades que o povo de Deus experimentou no deserto, na caminhada rumo à terra prometida; segundo o Evangelista São Mateus, Jesus Cristo antes de assumir a missão pública em vista da nossa salvação redentora foi levado ao deserto, lá enfrentou as seduções e as falsas propostas do opositor. Neste contexto histórico salvífico, Jesus se manteve atento e fiel a proposta do Pai, não fraquejou e nem tampouco se deixou impressionar pelo falso aparente poder, prazer e posse, muitas vezes desestruturador da condição humana (cf. Mt 4, 1-11).      Na solidão própria do deserto, Jesus vive a experiência do confronto, lá, Ele faz a escolha do fundamental e assume o essencial para a missão. Por isso, a espiritualidade quaresmal pode ser fonte de crescimento e revigoramento na nossa missão de evangelizar e ser evangelizado, visando à libertação da pessoa humana toda (Const. 05).

Enquanto, fonte de crescimento humano espiritual, a quaresma pode ser um tempo oportuno de percebermos o que carece ser melhorado na vida pessoal, a optar em fazer rupturas com estruturas inconvenientes com a vida consagrada religiosa, a ter a coragem de realizar sempre o começo da limpeza interior possibilitadora daquele equilíbrio e controle indispensável para a convivência fraterna entre nós.

No tocante a descoberta e revigoramento na escolha pastoral, partimos do que propõe a Congregação Redentorista: Anunciar o Evangelho de Modo Novo, com renovada esperança, corações renovados, estruturas renovadas para a missão. Além desta convocação, a Vice-Província do Recife, reunidos em assembléia no início do presente ano, fora ressaltado alguns pontos e situações de ordem pessoal, apostólica, comunitária e pastoral, que nos desafiam na busca de superação e conquista de valores essenciais para a vida consagrada missionária.  É o tempo da graça de Deus para o auto-esvaziamento dos nossos desejos pessoais e assim, irmos descobrindo o que é fundamental e essencial da missão que fizemos como homens consagrados.

Nesta caminhada quaresmal, faço votos para que cada um de nós tenhamos a força e sabedoria, em não se deixar impressionar pelas falsas propostas, e sim, manter a fidelidade a Cristo descobrindo sua face nos pobres, doentes e fracos de nossa sociedade, bem como, continuando a perceber na atualidade o fundamental e essencial em nossa ação pastoral.

Pe. Antônio Ranis Rosendo dos Santos, CSsR.

Superior Vice-Provincial