Redentoristas em perigo no Vietnã!

Jornalistas Vietnamitas Internacionais pedem o fim do assédio e intimidação aos redentoristas e paroquianos de Thai Ha.
(por Missionários Redentoristas, quarta, 23 de Novembro de 2011 às 10:54)

 

Sydney, 10 de Novembro de 2011 – A Federação Católica Vietnamita de Comunicação protesta diante da comunidade internacional e severamente condena o contínuo abuso do sistema dos meios de comunicação social, polícia e grupos do governo comunista do Vietnã em reprimir e manchar o desejo de justiça, paz e verdade de nossos irmãos e irmãs paroquianos de Thai Ha, Hanói, Vietnã.

Às 14:45h. do dia 03 de Novembro de 2011 um grupo de aproximadamente 100 pessoas, do nada, invadiu o pátio da igreja paroquial de Thai Ha com 02 alto-falantes em suas mãos, xingando nossos religiosos, padres e paroquianos, antes de agredi-los fisicamente. Os invasores também insultaram e ameaçaram matar muitos clérigos e paroquianos. Mais violentamente ainda, eles usaram marretas para destruir as propriedades da igreja. Eles somente abandonaram seu ato de terror e se retiraram quando os sinos começaram a badalar e inúmeras pessoas das paróquias vizinhas vieram socorrer.

Os terroristas foram embora, mas as consequências na paróquia de Thai Ha e no convento redentorista, nesses dias, parecem ter-se agravado, pois as autoridades de Hanói estão aumentando sua pressão vingativa, abalando a paróquia e o convento de Thai Ha. Um pequeno exército secreto e policiais à paisana, bem como milicianos, estão vigiando e monitorando rigorosamente os movimentos dentro e fora da igreja de Thai Ha todos os dias e noites, com o auxílio de câmeras de alta tecnologia, estrategicamente instaladas ao redor da igreja paroquial e do centro de atividade.

Este ataque violento tem semelhança com o ataque surpresa de 2008, que também visava a paróquia de Thai Ha. No dia 21 de setembro de 2008, um domingo, a capela do convento foi pilhada, com as estátuas destruídas e os livros rasgados em pedaços. Além disso, "o grupo gritou palavras de ordem, ameaçando matar sacerdotes, religiosos, fiéis e até mesmo o nosso arcebispo", escreveu o Pe. Matthew Vu Khoi Phung, Superior do Convento Redentorista de Hanói, em uma carta de protesto enviada ao Comitê Popular da Cidade de Hanói e às agências policiais de Hanói e do distrito de Dong Da, referindo-se ao então arcebispo de Hanói, Joseph Ngo Quang Kiet.

Como uma resposta à sua denúncia, em 11 de novembro aconteceu um segundo ataque por uma multidão ainda maior de bandidos.

O governo vietnamita tem, repetidamente, negado qualquer responsabilidade por estas ações violentas, atribuindo-as "a pessoas voluntárias" que agiram "para proteger a sociedade e para impedir os católicos de causarem um caos social."

O último episódio terrorista na paróquia de Thai Ha foi recebido com críticas ferozes dos líderes religiosos e das comunidades em todo o Vietnã. Logo após o ataque, o Arcebispo de Hanói e o Bispo de Kontum expressaram seu apoio à posição dos Redentoristas e dos paroquianos de Thai Ha. Congregações católicas de Norte a Sul realizaram numerosas vigílias de oração em comunhão com a Comunidade de Thai Ha. Pela internet, muitos não-cristãos expressaram suas preocupações e apoios para com a causa de Thai Ha, marginalizando o efeito de um ataque maciço da mídia, executado por estabelecimentos do estado, antes e imediatamente após o incidente de 03 de novembro, com a finalidade de enganar o público sobre os sacerdotes e paroquianos de Thai Ha e sua busca incansável pela justiça e pela verdade.

Durante anos, os padres redentoristas e seus fiéis têm demandado uma requisição de suas terras ilegalmente confiscadas pelo Estado.

O que é chamado, repetidamente, como "propriedade pública" nas alegações do estado, foi, na verdade, comprado pelos Redentoristas em 1928 com o único propósito de construir um convento e uma igreja. O convento redentorista foi dedicado em 07 de maio de 1929, e a igreja, seis anos mais tarde. Depois que os comunistas assumiram o controle sobre o Vietnã do Norte, o governo local mordiscou peça por peça da área do convento e da paróquia. A área ocupada pelo convento foi reduzida de 61.455 metros quadrados para 2700 metros quadrados.

Em 6 de janeiro de 2008, os paroquianos protestaram contra um plano do Estado para vender suas terras para companhias imobiliárias privadas com fins lucrativos. Em resposta, após uma série de ataques, prisões e até mesmo impondo processos contra os paroquianos, o governo rapidamente converteu a terra em um parque público.

Enquanto a necessidade de expandir o espaço para as celebrações e as atividades paroquiais continuem aumentando, o clero e os fiéis de Thai Ha não têm outra escolha senão requerer suas terras e propriedades de volta. Embora mantendo o seu direito de gerenciar as propriedades, o governo vietnamita até agora não foi capaz de produzir quaisquer documentos legais para endossar suas reivindicações ilegais nas áreas contestadas, porque as terras e as estruturas foram arbitrariamente retiradas dos católicos pelos funcionários locais. O confisco foi ilegal pela própria definição da lei do Vietnã, um sistema de regras que grosseiramente viola a convenção internacional sobre os direitos à propriedade privada.

A Federação Católica Vietnamita de Comunicação condena severamente e denuncia diante da comunidade internacional o ato terrorista feito sobre a Paróquia de Thai Ha e pede ao governo comunista do Vietnã para fazer o que segue:

1)) Parar os atos terroristas contra o convento redentorista e a Paróquia de Thai Ha.

2) Parar a perseguição contra a Igreja Católica e outras religiões. Reforçar a segurança nos locais de culto de todas as religiões.

3) Solenemente cumprir a lei promulgada pelo seu próprio governo e devolver à Igreja Católica e às outras religiões todas as propriedades confiscadas no Vietnã.

4) Respeitar plenamente os Direitos Humanos e a Liberdade Religiosa, como afirma a Carta das Nações Unidas.

Com a nossa total confiança em Deus, gostaríamos de estar em comunhão, compartilhar e acompanhar a Paróquia de Thai Ha em sua Via Crucis. Severamente clamamos a todos os Congressos, Governos, partidos políticos de todas as nações, às Organizações dos Direitos Humanos, à Anistia Internacional, à Comissão Internacional de Direitos Humanos, a todas as organizações com especiais preocupações pelos Direitos Humanos e a Liberdade no Vietnã, e às Agências de Comunicação Mundial que, por favor, unam-se a nós na luta pelos Direitos Humanos e Liberdade Religiosa no Vietnã.